Quando o assunto é sensatez e experiência no esporte, poucos atletas brasileiros (ou internacionais) se comparam à Jaqueline Mourão. Por isso, uma postagem feita pela atleta em suas redes sociais repercutiu bastante em diversos grupos de ciclismo no Whatsapp.

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Comecei no MTB aos 15 anos, sou "MTB raiz" como dizem, divertíamos explorando trilhas que as motos e os animais trilhavam. Lembro que ficávamos contentes demais quando descobríamos uma nova trilha! Nesta minha volta ao MTB, saltos e gaps artificiais são os meus desafios, não cresci com eles, e muitos já me viram esquivando e passando pelo "chicken line" quando não me sinto a vontade para saltar…e pra mim TUDO BEM! Nunca vi tantas pessoas machucadas no MTB, eu mesma….3 sustos bravos com concussão, o tombo da Lelê no Mundial e da Raiza na Copa do Mundo, Yolanda Neff perdendo o baço, Fumic perfurando a pleura…. e o pior, a morte da Flor na prova de eliminator…eu me pergunto sim até que ponto este espetáculo deve chegar…mas claro respostas como: "não é tão difícil", "é só praticar" ou "queremos mostrar nossa técnica" empurram muitos atletas ao limite… este assunto tem muito pano pra manga…minha opinião é que não temos capacete fechado e qualquer erro, seja ele mecânico ou não, o impacto vai ser diretamente no nosso corpo. Mas isso deixo UCI, comissários e médicos discutirem…. O ponto onde quero chegar é o seguinte: esta semana uma médica de Quebec de 40 anos, mãe de 3 crianças, faleceu tentando um salto…. ela era iniciante no esporte e isso tocou profundamente meu coração. Hoje vendo o quanto o MTB cresceu, com mais e mais adeptos, escrevo para todos vocês: RESPEITEM SEUS LIMITES! Treine a progressão, equilíbrio, levantar a roda dianteira, bunny hop, pequenos saltos, meio fio, matricule-se em escolinhas de MTB… até se sentir à vontade para tentar saltos! E as pessoas à sua volta, por favor, estimulem somente se você tem a certeza de que a pessoa já tem todos os princípios técnicos necessários para enfrentar o desafio, o "você consegue", "é fácil" ou "me segue na mesma velocidade que vai" só funciona se a pessoa souber o que fazer! Desculpem-me o longo texto, mas como atleta de MTB e mãe de 2 filhos senti realmente a necessidade de me pronunciar e quem sabe evitar acidentes desnecessários. Divirtam-se seguros no MTB e respeitem seus limites!? ?: @rodrigobarretophoto @sensebike @sensefactoryracing

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Recentemente, fizemos uma bela Entrevista com Jaqueline Mourão, onde a atleta contou um pouco de sua história, além de fazer um paralelo entre o passado e o presente do esporte.

Divirta-se como quiser

O MTB evoluiu de maneira bem diferente dentro e fora do país. Isso porque, enquanto lá fora as modalidades mais radicais dominavam, no Brasil o MTB ficou mais focado no desempenho atlético, com as prova e pedais de XC dominando.

É bem verdade que, do ponto de vista do espetáculo, é muito mais legal ver um Nino Schurter ou um Danny Macaskill pedalando. Porém, até que ponto o nível de habilidade destes caras refletem a realidade dos praticantes do esporte? E mais: até que ponto você realmente precisa fazer qualquer coisa vagamente semelhante para curtir um pedal?

A grande verdade é que não cabe a ninguém definir onde, como e quando você pratica o SEU ciclismo. Por isso, quando for pegar sua bike para pedalar, pratique o esporte que você quer praticar, da forma que você achar melhor e, acima de tudo, respeite seus limites.

Nunca, jamais, sob hipótese alguma sinta-se pressionado para encarar um obstáculo que você não esteja confortável, nem para pedalar por um percurso ou prova que você julgue longo ou duro demais. Lembre-se que não é só porque o fulano pedalou 300km e o beltrano emendou um duplo de 15 metros que você precisa fazer o mesmo.

No fim, a bike para o amador deve ser um fonte de prazer. Isso quer dizer que uns podem se divertir pedalando 300km, outros fazendo curvas em alta velocidade, subindo uma montanha de bike elétrica só pra descer a trilha do outro lado ou mesmo pedalando no estradão de terra com seus amigos.

Fonte: pedal.com.br