Treinar em jejum

Praticar atividade física em jejum não é indicado. Isso porque as reservas de energia estocadas nos músculos geralmente não são suficientes para atender a uma demanda grande ou acima de uma hora e meia de exercício, segundo Guilherme Artioli, professor da Escola de Educação Física e Esporte e coordenador do Grupo de Pesquisas em Fisiologia Aplicada e Nutrição da Universidade de São Paulo (USP).

Daí surgem os impactos no desempenho pela falta de concentração e pela redução da explosão e da força, e o atleta pode apresentar sintomas como mal-estar, tontura, desmaio, além de correr o risco de sofrer lesões, impactos na imunidade ou ainda desenvolver um quadro de deficiência nutricional ao longo do tempo.

Achar que pode comer de tudo

Correr muitos quilômetros não dá “crédito” nas calorias, nem libera você para abocanhar o que quiser nas refeições. Aliás, um atleta que busca melhorar seu tempo precisa levar a dieta mais a sério do que qualquer outra pessoa. Na prática, não são apenas as calorias que importam, mas a qualidade do alimento.

“Frituras e ultraprocessados aumentam o processo inflamatório do organismo, deixando o atleta mais suscetível a lesões”, alerta Laís. Isso porque esse tipo de alimento acaba não cumprindo seu papel principal de oferecer nutrientes e antioxidantes importantes para ajudar na recuperação do corpo que sofre desgaste no esporte.

Consumir álcool com frequência

As bebidas alcoólicas têm um grande impacto no organismo. Além de levarem à desidratação, possuem ação inflamatória e deixam a mucosa intestinal mais permeável, prejudicando a absorção dos nutrientes. O resultado disso é a queda de performance do atleta, além da imunidade fragilizada. Segundo Guilherme, o álcool também gera toxinas e libera radicais livres, exigindo um “esforço” do organismo para combatê-los, o que impacta o desempenho do exercício.

Não se manter hidratado

Cerca de 60% do nosso corpo é constituído por água e mantê-la em níveis ideais é imprescindível para que diversas funções aconteçam no organismo. “Para isso, o consumo médio diário deve ser de 35 ml por quilo de peso, ou seja, uma pessoa de 60 kg deve consumir perto de 2,1 litros”, coloca a nutricionista Fúlvia Hazarabedian.

Chegar bem hidratado à atividade física e permanecer assim durante a prática também fará toda a diferença para adiar a fadiga, reduzir as chances de cãibras e manter a agilidade dos movimentos e do raciocínio. Isso porque a água também possui diversos micronutrientes e minerais (cálcio, sódio, potássio e magnésio) importantes para a contração muscular e a transmissão de impulsos nervosos. Portanto, não a consumir em quantidades adequadas vai impactar, sim, o seu rendimento. “Além de aumentar o risco de um quadro de superaquecimento pelo calor excessivo, uma vez que o corpo desidratado não consegue regular adequadamente sua temperatura, tirando o atleta da prova”, complementa Guilherme.

Exagerar na cafeína

Já está mais do que comprovado que a cafeína ajuda a dar pique e potência extra à atividade física. Mas, para fazer um bom proveito de seus benefícios, é importante consumi-la da forma correta e não exagerar na dose! É que, ao mesmo tempo que a substância deixa seu raciocínio mais rápido e adia a fadiga, o exagero contribui para a desidratação, principalmente em pessoas mais sensíveis, que podem ter um quadro de diarreia.

“O consumo excessivo ainda pode levar a uma taquicardia e a um quadro de pressão alta”, acrescenta Guilherme. Mas não é só. “Se consumida sem uma fonte de energia ou em jejum, a cafeína acaba encurtando o tempo de performance, uma vez que o atleta não tem combustível suficiente para sustentar o ganho de potência”, alerta Fúlvia.

Fonte: ativo.com.br