Vou correr: qual tênis usar? É uma ótima pergunta. Porém, antes que você ache que estamos sendo patrocinados, já vamos responder: o melhor tênis é aquele que te deixa mais confortável. Como assim? Vamos aos fatos, já previamente conversados em artigo recente, mas acima de tudo comprovando na literatura científica, onde fomos buscar a resposta: o que vale é seu “filtro de conforto”. Os tênis de corrida vêm passando por drásticas mudanças, ano após ano, e várias marcas tentam chamar sua atenção e investem realmente em muita tecnologia, isso é indiscutível. E com essas mudanças, veio a pergunta que não quer calar: tênis pode prevenir lesão? O segredo não está na resposta, porém, na pergunta. E a pergunta certa seria: será que o tênis pode intervir no aparecimento de lesões?

Prevenir tornou-se um termo ultrapassado nesse quesito, perigoso de se dizer. Não tem como prevermos os fatores externos que poderão ocasionar lesões, como um buraco na pista de corrida, um carrinho violento no futebol ou até mesmo torcer o pé num treino, como num caso que atendi essa semana, da triatleta Xan Figueiredo.

Para dizermos que vamos prevenir lesões, temos e podemos usar nosso corpo, essa grande máquina biomecânica para absorver impactos através dos nossos músculos, tendões e ligamentos – que, fortes, proporcionam o melhor desempenho possível tanto para nossas atividades diárias quanto esportivas.

Sempre se disse muito sobre usar tênis com certo amortecedor, ou tênis que “corrigisse” a pisada para assim prevenir futuras lesões. Mas os últimos estudos têm jogado tudo isso por terra mostrando que essas duas variáveis, tanto a relação entre as características de impacto quanto a pronação do tornozelo, não têm ligação direta com o risco de desenvolver uma lesão na corrida.

Em contrapartida, chegaram outros dados, mostrando que surgiram dois novos paradigmas sugeridos para elucidar a associação entre calçados e lesões. Esses, por sua vez, são chamados de “caminho de movimento preferido” e “o filtro de conforto”.

Como isso funciona? Os pesquisadores sugerem que um corredor seleciona na loja intuitivamente um produto confortável usando seu próprio filtro de conforto, que permite que ele permaneça no caminho do seu movimento preferido; ou seja, você deve experimentar o tênis e analisar o conforto ao andar e ao correr; e essa analise é que reduz automaticamente o risco de lesões. Podemos denominar esse processo como nosso próprio feedback biodinâmico.

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