Os exercícios realizados na água são reconhecidos como extremamente benéficos para tratamento e prevenção de várias doenças, principalmente para dores crônicas, como na fibromialgia e nas dores lombares. Os exercícios mais utilizados são aqueles que compõem as coreografias da chamada hidroginástica, sempre realizada com os indivíduos sustentando seu peso corporal atenuado pelo empuxo da água. A grande vantagem dessa situação é a atenuação do impacto articular pelo benefício da submersão parcial do corpo. Por outro lado, os músculos de sustentação da coluna vertebral parecem ser menos solicitados nesses exercícios, o que pode diminuir o benefício de fortalecimento dos mesmos. Esta análise foi o propósito de um estudo publicado por pesquisadores brasileiros na revista Musculoeskeletal Science and Practice em outubro de 2020.

O estudo incluiu 54 voluntários com dor lombar crônica que foram divididos em dois grupos. Um grupo fez, durante nove semanas, exercícios convencionais de hidroginástica. O outro grupo fez, além da hidroginástica convencional, exercícios de deep-running, que é uma modalidade na qual o indivíduo faz exercícios em piscina com mais profundidade e fica flutuando com o auxílio de um colete – ou sem ele, no caso de pessoas que já aceitam uma maior dificuldade no movimento. No deep-running, o indivíduo corre na água fazendo movimentos com os membros inferiores e superiores como na corrida normal, sem tocar os pés no fundo da piscina. Nesse exercício existe a necessidade de sustentação da postura ereta, o que solicita a musculatura paravertebral.

O resultado apontou para uma melhora muito mais significativa do quadro de dor lombar no grupo que incluiu o deep-running no programa. Esta modalidade, que é pouco difundida, merece ser mais bem divulgada por ser de grande benefício e ampla indicação.

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