Ser treinador esportivo é um grande prazer para mim. Apesar de treinar atletas profissionais do MTB brasileiro, atualmente, a maior parte dos meus alunos são amadores de diferentes idades e com objetivos variados: performance, condicionamento físico, perda de peso e saúde. Por este motivo, o grande diferencial do nosso trabalho é o treinamento individualizado. É preciso desenvolver treinos únicos – e para isso é importante ter um acompanhamento de perto e usar as tecnologias disponíveis no mercado.

As ferramentas para o controle e prescrição do treinamento esportivo evoluíram muito desde quando comecei, em 2001. A comunicação era por telefone fixo e e-mail com internet discada. Lembro que alguns alunos tinham que ir até uma lan house para imprimir o treino. Não havia GPS e poucos usavam cinta de frequência cardíaca. Funcionava assim:

  • eu passava o treino via e-mail em arquivo de Word e conversava com o atleta 1 vez por semana;
  • o atleta relatava o que treinou e como se sentiu. Eu não conseguia avaliar as sessões, não tínhamos os dados de frequência cardíaca e potência, apenas o relato da percepção do esforço, velocidade média e distância, para aqueles que tinham Cateye;
  • já em 2004, comecei a fazer, com alguns atletas, intervalados nas Monarks científicas com controle de potência por frenagem mecânica, e eles me relatavam os valores atingidos por e-mail;
  • em 2007, iniciamos o controle de fitness (CTL), fadiga (ATL) e forma (TSB), por meio do Excel e cálculo por percepção de esforço.

Hoje isso mudou muito: existem plataformas de treinos on-line, GPS com cinta cardíaca e aparelhos de potência instalados na própria bike e, atualmente, potência para corredores.

Como funciona hoje

Desde 2015, faço a prescrição e avaliação dos treinos por meio do Training Peaks e WKO. É um sistema que se conecta e sincroniza com vários modelos de GPS que fornecem os dados de frequência cardíaca, potência, velocidade, distância, percurso, altimetria, acúmulos de subida, temperatura e tempo do treino.

O aplicativo cria também as curvas de fitness (CTL), fadiga (ATL) e forma (TSB) – que antes eu fazia somente no Excel –, utilizando dados de potência e frequência cardíaca. O WKO tem ferramentas e gráficos, como o perfil de potência do atleta, histórico de performance, análise de possível excesso de treino e prontidão para competir. Além de muitos outros dados, que levam o treinamento para outro patamar. Isso tudo favorece as tomadas de decisões para aumentar ou reduzir o treino e, também, para prever a performance e avaliar os resultados do trabalho.

É possível direcionar o treinamento numa base com muito mais informações e detalhamento do que era no passado, possibilitando melhor individualização e mais qualidade. Não só para quem busca performance, mas para todos os objetivos.

Entretanto, temos que fazer um adendo importante. O ser humano é muito mais complexo do que números. Outros fatores, que vão muito além do treinamento e da tecnologia, podem influenciar no resultado, tais como as questões biomecânicas, psicológicas, saúde, sono, compromissos sociais, influencia da mídia e família, nutrição, parte financeira do atleta, estratégia de competição e técnica dos movimentos.

Diante disso e de todas as ferramentas disponíveis, o treinador e o atleta deve fazer a leitura mais abrangente de todo o processo e desenvolver o treinamento de acordo com objetivos, necessidades e dificuldades de cada pessoa, utilizando-se da tecnologia e de todo o conhecimento das ciências da motricidade humana.

Fonte: pedal.com.br